No último encontro do 2° Ciclo de Debates “A Inclusão Escolar e a Interface com as Políticas Públicas de Atendimento”, ocorrido nesta quarta-feira (21/10), profissionais da área da educação apresentaram na Câmara de Porto Alegre temas como políticas para pessoas com deficiência (PCDs), escolas especiais e atendimento do serviço público. Promovido pelo Fórum pela Inclusão Escolar e Comissão de Educação, Cultura, Esporte e Juventude (Cece), o evento ocorreu no Plenário Otávio Rocha da Casa e teve a coordenação da vereadora Sofia Cavedon (PT). Na abertura, o grupo de dança da Escola Esperança, sob a coordenação da professora Cláudia Fernandes, fez uma apresentação em que contaram uma parte da história do bairro Restinga, zona sul da Capital.
Equívocos e Mitos
Idília Fernandes, doutora em serviço social e assistente social defendeu o tema “Políticas Públicas e Acessibilidade Universal”. De acordo com a também pesquisadora da PUCRS, dentro da sociedade há um paradoxo nas relações sociais em relação às pessoas com deficiências. “Nossas diferenças individuais deveriam enriquecer este processo, mas temos uma demanda de igualdade de comportamento no convívio social”, defende. Para ela, quando se fala na área das deficiências “infelizmente não ocorre aceitação dentro da sociedade”.
Segundo a assistente social, existe neste segmento o que ela classifica como “equívocos e mitos”. Idília argumenta que ver a deficiência como um todo e não como parte da vida do sujeito se enquadra nestes casos. “As pessoas têm uma deficiência, e não são deficientes”, diz. Segundo ela, há uma “perversa desqualificação, como se a deficiência não permitisse capacidade para realizar”. Finalizou defendendo que, conforme a Declaração Universal dos Direitos Humanos, as PCDs ficaram à margem dos direitos destacados no texto, e ressaltou que a ONU produziu, em 2006, convenção específica para a área das pessoas com deficiência.
Especial
Daisy Braighi relacionou em sua fala à questão da integração e inclusão nas escolas, seja na educação especial ou na regular. Destacou não só conceitos teóricos, mas como colocá-los em prática. “Esse é uma processo de construção permanente para que haja diversas possibilidades neste campo. Para rompermos barreiras, tanto na escola regular como na especial”, colocou.
Segundo Daisy, a escola especial, hoje, se desdobra no que tende a dar atendimento, e pode ser, sim, inclusiva. “Se ela é inclusiva temos que apresentar o caráter escolar. Buscar teorias do conhecimentos com a prática, para construção de saber com significado real para o aluno”, defende. “Quando chega uma determinada clientela, temos que dar conta para um atendimento eficaz. Este tipo de estabelecimento trabalha com o que é real e o que vem do sujeito”, sustenta. Ela diz que o aluno que vai à escola se sente mais reconhecido socialmente do que aquele que não a frequenta.
Políticas
Adílso Corlasolli, coordenador adjunto da Educação Especial da Secretaria de Educação de Porto Alegre, abordou o atendimento prestado às pessoas com deficiência tanto pelo poder público como na área privada. Portador de deficiência visual e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdepa), segundo ele, não há demandas sociais que atendam as PCDs. “Existem demandas não só na área escolar, mas também em outros segmentos da sociedade, como na saúde, no esporte e no lazer”, relata. Corlasolli destacou, ainda, ações que o poder público realiza em diversas esferas, e de como são captadas verbas para investimentos neste segmento.
Ele exemplificou que existem ações que todo o aluno com deficiência visual – e que está no censo escolar – tem direito a um computador portátil com decodificador de voz para estudar. “É importante ter políticas bem definidas que atendam as PCDs, que eliminem barreiras e proporcionem inclusão social. Isto só vai acontecer com a convivência, que vai mostrar o que acontece com estas pessoas.”, define.
Fonte: Leonardo Oliveira / Assessoria de Imprensa da CMPA
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