2010: MAIS UM ANO DE LUTAS. MOBILIZE-SE DESDE JÁ!

 

 

Ampliação do ensino médio na rede municipal de Porto Alegre: estão sobrando recursos? Por que, então, projetos no ensino fundamental foram cortados?

Quem foi ao IV Congresso Municipal de Educação testemunhou a orquestração de uma nova - e nociva - forma, pelo menos na EJA,  de construção de políticas curriculares: alguém referiu uns tais segmentos, a SMED não soube explicar bem, disse que era uma nova proposta do MEC, colegas pediram maiores esclarecimentos, que ninguém soube dar, mas acreditamos ter sido remediada a situação com o registro no texto do Congresso de que qualquer proposta curricular nova passaria pela discussão do fórum de EJA,  amplamente discutido com todos.

Ledo engano: os tais segmentos vão ser implantados em duas escolas como projeto piloto, com o agravante de que o ensino médio será ampliado, embutido na tal organização. Apesar de toda a busca que fizemos em dialogar com a SMED, nos foi dito que é fato consumado: a tal proposta será implementada, mesmo não havendo nenhuma fundamentação teórico-metodológica elaborada, pois em reunião com a coordenação da EJA e a busca de informações junto ao Ministério da Educação, explicitou-se que não há nenhuma proposta que emerja do MEC, mas umas apostilas amareladas, da década passada, com diretrizes gerais, formuladas sob a concepção de suplência. Em março, colegas que foram coagidos sob a ameaça de que estão sobrando na escola, iniciarão uma experiência sem fundamentação, sem planejamento, sem formação, sem estrutura curricular mínima, sem sequer estar claro como estes estudantes obterão certificação, pois nada chegou ao Conselho Municipal de Educação.

Dois importantes teóricos das políticas educacionais, Stöer e Magalhães (2005), apresentam três formas de lidar com a elaboração e implementação de políticas, baseados em três metáforas: pilotar, surfar e gerir. Temos aqui um exemplo que combina o pilotar, com rotas já definidas e traçadas, sem nenhuma discussão, com o surfar, ou seja, surgiu uma nova onda, vamos lá. Então, que cada um pegue sua prancha e atire-se ao mar, pois não há tempo nem espaço para gerir nada.

A partir desse episódio, é importante lembrar que este é um ano de eleição de diretores, e mais uma vez devemos afirmar a gestão democrática como um fundamento de nossa rede municipal. Qual é o papel das direções de escola na compreensão das políticas educacionais e na reivindicação da participação docente, garantida na LDB? No respeito a todos os segmentos da comunidade, dentre eles os trabalhadores em educação? Devemos problematizar e exigir participação, formação e planejamento, ou aderir acriticamente a ideias que sequer foram estruturadas como organização curricular?

 


 

 

 

 

 

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